
BRECHT, B. Histórias do Sr. Keuner.
Este beijo em tua fronte deponho! Vou partir. E bem pode, quem parte, francamente aqui vir confessar-te...

BRECHT, B. Histórias do Sr. Keuner.
Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.
Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.
Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.
Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.
Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...
O dia deu em chuvoso.


Eu nasci em um outro mundo
Estritamente conectado a um pedaço de minha mente
Nada mais que uma pequena terra
É um pequeno berço onde eu sou uma criança
Lá eu sou a princesa,
Nada errado no meu mundo fantástico
Eu sou o rei, a nação
Nenhum ditador ou religiões
Nenhuma lei pra me proibir
Tenho minha própria liberdade dentro de mim
nada a perder, eu quero viver aqui
Como você vê eu sou a única sobrevivente nesta terra
[...]
Eu tenho de escolher, eu quero mesmo viver aqui?
Lacuna Coil

Se consultarmos o dicionário Aurélio veremos que o significado da palavra companheirismo se resume em: aquele que acompanha.
Mas será só isso o verdadeiro companheirismo? Companheirismo é muito mais do que alguém que acompanha, é alguém que entende, ouve, critica, respeita e que é confiável.
Companheiro é aquele que nos momentos de solidão ou de angústia te auxilia, às vezes com nenhuma palavra, mas quem disse que as palavras são a melhor ajuda? É aquele que quando precisamos desabafar, nos ouve, às vezes sem entender nada, mas fica ali quieto, procurando a melhor maneira de nos ajudar.
O Verdadeiro companheiro também é aquele que critica, que com a confiança de uma verdadeira amizade, tem liberdade para dizer o que fazemos de errado, para que possamos refletir e tentar melhorar.É aquele que quando também é criticado, ouve, e respeita, pois todas as criticas são construtivas, e todos nós devemos respeitar a forma de agir, pensar e se expressar de todos, pois cada um possui uma personalidade diferente, um modo diferente de encarar os problemas e a vida.
Assim quando encontrar aquela pessoa que de alguma forma tente te entender, ouvir, criticar quando preciso, que te respeite, ai sim você encontrara alguém que realmente poderá confiar, alguém que deseja seu bem, alguém que agora sim te acompanhará por toda a vida.
Luís Henrique Comparini


Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!...
Florbela Espanca
“Uma noite de tantas, entrava pelas portas de uma maravilhosa mansão.
Silente, atravessei um formoso jardim até chegar a uma fastuosa sala. Movido por um impulso interior, passei um pouco mais além e penetrei ousadamente num escritório de advogado.
Ante o bufete achei sentada uma dama de regular estatura, cabeça cana, rosto pálido, lábio delgado e nariz romano. Era aquela senhora de aparência respeitável e mediana estatura. Seu corpo não era muito delgado, porém, tampouco demasiado gordo. Seu olhar mais parecia melancólico e sereno.
Com voz doce e agradável, a dama me convidou para sentar ante a escrivaninha.
Em tais instantes, algo insólito acontece: Vejo, sobre a escrivaninha, duas borboletas de vidro que tinham vida própria, moviam suas asas, respiravam, olhavam, etc., etc., etc. O caso, por certo, parecia-me demasiado exótico e raro. Duas borboletas de vidro e com vida própria?
Acostumado como estava a dividir a atenção em três partes, primeiro: não me esqueci de mim mesmo; segundo: não me identifiquei com aquelas borboletas de vidro; terceiro: observei cuidadosamente o lugar.
Ao contemplar tais animais de vidro, disse a mim mesmo:
Isto não pode ser um fenômeno do mundo físico, porque na região tridimensional de Euclides jamais conheci borboletas de vidro com vida própria. Inquestionavelmente, isto pode ser um fenômeno do mundo astral.
Olhei logo ao meu redor e me fiz as seguintes perguntas:
Por que estou neste lugar? Por que vim aqui? Que estou fazendo aqui?
Dirigindo-me logo à dama, falei-lhe da seguinte forma:
Senhora, permita-me a senhora sair um momento ao jardim que logo regressarei.
A dama assentiu com um movimento de cabeça e eu abandonei, por um instante, aquele escritório.
Já fora, no jardim, dei um saltinho alongado com a intenção de flutuar no ambiente circundante. Grande foi meu assombro quando verifiquei, por mim mesmo, que realmente me achava fora do corpo físico. Então compreendi que estava em astral.
Em tais momentos me recordei de que fazia longo tempo, várias horas que havia abandonado meu corpo físico e que este, inquestionavelmente, se achava agora repousando em seu leito.
Feita a singular comprovação, regressei ao escritório, onde a dama me aguardava.
Então quis convencê-la de que estava fora do corpo físico:
Senhora, disse-lhe. A senhora e eu estamos fora do corpo físico. Quero que recorde que faz umas quantas horas se deitou fora do seu corpo físico, pois sabido é que, quando o corpo dorme, a Consciência, a Essência, desafortunadamente metida entre o ego, anda fora do veículo corpóreo.
Ditas todas estas palavras, a dama me olhou com olhos de sonâmbula, não me entendeu. Eu compreendi que aquela senhora tinha a Consciência adormecida... Não querendo insistir mais, despedi-me dela e abandonei o lugar.
Depois me dirigi para a Califórnia, com o propósito de realizar certas investigações importantes.”
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.
Clarice Lispector
O cientista Michio Kaku afirma: “Nós estamos experimentando um choque existencial. Nossa visão de mundo foi modificada com a descoberta de que pode haver sim, universos paralelos.”
"Essa ideia vem do mundo da mecânica quântica – a ciência do átomo. No mundo atômico, elétrons são observados aparecendo e desaparecendo. Eles vão para algum outro lugar. Mas eles também podem estar em vários lugares ao mesmo tempo. Já que somos feitos de pequenas partículas de luz ou fótons, faz sentido dizer que nós também podemos estar vivendo em vários lugares ao mesmo tempo."

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.